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João Paulo Vieira Deschk -Com. Terapêutica Pe. Wilton – Ponta Grossa/PR – 9 anos de sobriedade

João Paulo Vieira Deschk -Com. Terapêutica Pe. Wilton – Ponta Grossa/PR – 9 anos de sobriedade

João Paulo Vieira Deschk, advogado

Com. Terapêutica Pe. Wilton – Ponta Grossa/PR – 9 anos de sobriedade.

O autoconhecimento que a experiência na comunidade terapêutica me trouxe, foi, e ainda é, fundamental para conseguir seguir a jornada de dependente químico no pós tratamento. […] pois a misericórdia de Deus é infinita, e que apesar de nossas falhas e imperfeições, sempre está presente em nossas vidas mostrando um caminho de vitórias e bênçãos[…] .

João Paulo Vieira Deschk, hoje, casado e pai de dois filhos, advogado, Mestre em Direito Empresarial pela UNICURITIBA,
doutorando em Direito pelo Centro Universitário de Brasília – UNICEUB, professor do curso de direito da Faculdade
SECAL em Ponta Grossa (PR), e assessor de gabinete do Procurador Geral do Município de Ponta Grossa, nasceu
em uma família estruturada e trabalhadora, em que nunca faltou nada para ele e a irmã Suhelen, graças ao suor do
trabalho de seus pais, Haroldo A. Deschk e Janete V. Deschk. Nesta edição, João Deschk divide conosco outra fase de
sua vida, o passado no submundo das drogas, as etapas de sua dependência química e o papel da Comunidade
Terapêutica da Copiosa Redenção em seu processo de autoconhecimento e sobriedade.

INÍCIO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

João Deschk sempre cultivou o sonho de ser jogador de futebol profissional, portanto, durante a juventude, levou
uma vida absolutamente regrada.
No ano de 1999, treinava nas categorias de base do Operário Ferroviário Esporte Clube, em Ponta Grossa, quando foi aprovado no vestibular do curso de Direito. Logo que entrou na faculdade, conheceu um mundo completamente diferente do que estava acostumado: festas, churrascos, bebidas à vontade e drogas.
Já em 2000, teve o primeiro contato com a maconha, mas essa droga não despertou seu interesse. Foi somente no
ano seguinte, em 2001, quando ainda conciliava os estudos com o futebol, que conheceu a cocaína. Nesse
período, em festas com os demais jogadores – em que alguns usavam drogas – conheceu um submundo do
futebol que lhe roubou a visão do sonho que tinha, em que atletas priorizavam a saúde e usavam o esporte para
uma melhor qualidade de vida. Então, em 2002, decidiu se desligar do Clube para dedicar-se somente aos estudos.
Passou a frequentar festas universitárias com novos grupos de amigos da faculdade. Em uma dessas festas, reparou
no comportamento efusivo de um amigo, excessivamente animado e divertido, que ia repetidas vezes ao banheiro.
Questionado, o amigo mesmo relutante, afirmou que saía para usar cocaína. João, um rapaz tímido, teve a curiosidade
despertada por aquele comportamento alegre e sociável, sem grandes esforços, aparentemente. Então, mesmo
com os alertas desse mesmo amigo sobre os riscos e o mal que poderia fazer à sua própria vida, acabou
experimentando a cocaína pela primeira vez – a partir daí, o uso tornou-se contínuo, desencadeando o vício.

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Sua vida passou a girar em torno de festas e drogas. Naturalmente, afastou-se dos familiares, amigos e daqueles que sabiam da situação e o aconselhavam a parar. Essas pessoas “não serviam”, pois, para ele, encontrava-se em outro ritmo.
No estágio e na faculdade, o rendimento caiu consideravelmente, ocasionando até mesmo, a perda da formatura com sua turma, um trauma muito grande para ele e toda a família.
Suas responsabilidades ficavam em segundo plano, pois, o objetivo principal era sempre ter e poder consumir mais drogas.
Assim continuou até fevereiro de 2009, quando casado e morando em uma cidade do Estado do Mato Grosso, o advogado com o
qual trabalhava descobriu que usava drogas em horário de expediente.
Este relatou para sua esposa que ameaçou deixá-lo, pois não iria conviver com um drogado que estava diariamente mentindo para
ela.
A partir daí, se viu sem alternativas.  Estava sem esposa, sem trabalho, sem nenhuma condição de prosseguir com a vida, e com a ciência que de fato era um dependente químico e precisava de ajuda.

TRATAMENTO

Deschk conta que já conhecia a Comunidade Terapêutica do Padre Wilton, pois, em 2005, quando teve o problema com a formatura, passou por uma experiência de trinta dias na Comunidade. “Hoje, percebo que esse período de permanência foi
extremamente curto, pois, para poder absorver realmente o que a Comunidade tem para oferecer, considero o tempo mínimo de nove meses, como o ideal para, de fato, transformar as pessoas.”
Assim, por conhecer o trabalho e principalmente o Padre Wilton, bem como, os demais Padres e Irmãos, optou pela Copiosa Redenção. Iniciado o tratamento, Deschk vê em seu processo de recuperação, duas fases:
A primeira fase, quando estava na chácara pensando mais nos outros do que em si mesmo. Após um problema familiar à época e orientado pelos Padres e seminaristas, iniciou então, o que considera a segunda fase do seu tratamento, onde pôde realmente se
conhecer, e principalmente, os motivos  que o levaram a entrar no mundo da dependência química.
Outro ponto que destaca no tratamento é o fato de ser professor universitário, advogado, e com uma  família bem estruturada, sendo muitas vezes alvo de comparação com os demais internos. Nas visitas das famílias, por várias oportunidades, ouvia: “olha,
esse é aquele advogado que está internado conosco”. Essa referência era utilizada como uma espécie de justificativa por aqueles que não tinham curso superior, como dizendo a seus pais: “até advogado está internado aqui, então eu que não sou nada, tenho
todo motivo para estar aqui”. O que serviu de incentivo para levar cada dia mais a sério o tratamento.
Durante a recuperação, muitas barreiras tiveram de ser enfrentadas, mas, cita o preconceito como uma das principais.
“Em nossa sociedade, o dependente químico é taxado como alguém que não tem vergonha e faz aquilo por pura brincadeira. Não há a compreensão de que a dependência química é uma doença, e como tal, precisa de tratamento, e de um tratamento sério,
pois ela mata não só o usuário, mas machuca também aqueles que o cercam.”
Também considera a questão da facilidade de acesso a bebidas alcoólicas, medicamentos e drogas ilícitas, bem como, às campanhas que transmitem aos jovens, especialmente, a ideia da descriminalização das drogas, transparecendo nas entrelinhas a
mensagem de que a droga é algo natural em nossa sociedade e que tal descriminalização traria benefícios.
“Infelizmente, posso dizer que a realidade é outra. A droga traz tristeza, miséria e morte.” Uma das mais fortes experiências que
viveu na Comunidade Terapêutica ocorreu, segundo ele, em um dia dos pais. Um colega de tratamento esperava ansiosamente a chegada de seu filho para poder dar-lhe um abraço. O menino entregou um presente muito simples ao pai, e logo se despediu, dizendo: “papai, fica bom logo, que estamos te esperando lá em casa”. À época, ainda não tinha filhos. “Hoje, como pai de duas lindas crianças, ao  me lembrar daquele dia e daquela cena, agradeço a Deus a oportunidade de poder abraçá-los todos os dias e
pela força que esses momentos me dão para seguir pelos caminhos que Ele tem me guiado.”

SOBRIEDADE E LUTA NA REALIDADE ATUAL

João Paulo Deschk concluiu seu tratamento em novembro de 2009, ou seja, já são quase nove anos de sobriedade e luta. Neste último mês de agosto, foi selecionado pelo governo da Turquia para participar de um curso representando o Brasil, onde
além de outros compromissos, teve a oportunidade ímpar de visitar a casa da Virgem Maria em Éfeso – “uma das experiências mais marcantes em minha vida”. João Paulo destaca a importância de sua família em sua batalha diária, “tenho uma família muito abençoada, pois sou casado com a Denise, e sou pai das duas crianças mais lindas desse mundo, o Luiz Gustavo e a Ana Helena”.

SIGNIFICADO DA COPIOSA REDENÇÃO

Quando questionado sobre o significado da Comunidade Terapêutica em sua vida, Deschk não hesita, “Para mim, a CT é o meu chão, é o lugar onde eu pude reconstruir a minha vida, olhar para dentro de mim e perceber o que eu precisava, e ainda preciso mudar. Lá é o lugar onde eu tive a experiência mais profunda da misericórdia de Deus na vida das pessoas, principalmente, na minha vida. Na CT eu pude vivenciar milagres, sinais, e tudo o que Deus tem de melhor para proporcionar na vida daqueles que buscam a santidade. Além disso, conheci pessoas que dedicam sua vida a ajudar aqueles que precisam e fazem de suas
vidas, um eterno acolher. Aos padres e seminaristas da Copiosa Redenção, minha eterna gratidão.”

“Aos dependentes químicos, peço que se entreguem a Deus, deixem-se guiar pelo Espírito Santo que a vitória é certa. Aos
familiares, peço que sejam acolhedores, pois, nesse momento, um abraço afetuoso, e uma palavra de carinho sincera podem
ser o pontapé inicial para um tratamento eficaz e a retomada de uma vida plena em Deus e de conquistas. Quanto a mim,
afirmo que podem contar com meu apoio e orações, peço que lembrem-se de mim também em suas orações, pois com essa
força, sem dúvidas, minha força é maior em busca da vitória.”