Dependência Química

A Organização Mundial da Saúde define a dependência química como uma condição que leva o indivíduo, de maneira mais ou menos coagida, a assumir substâncias em doses crescentes ou constantes para ter efeitos subjetivos temporários, cuja persistência é indissoluvelmente ligada à contínua assunção da substância com consequências nocivas para o indivíduo e para a sociedade.

A palavra condição é relevante para nós, porque, no plano prático, nos leva a não tratar a pessoa dependente como um doente. Ela é, acima de tudo, uma pessoa que se encontra em uma condição que comporta uma relação problemática com uma substância. Condição de caráter existencial que afeta toda a sua vida, suas relações sociais, e compromete sua capacidade de decisão, compromisso com sua própria vida e com os outros. Esta relação patológica permanecerá durante toda a vida do indivíduo. O que pode mudar é os ganhos secundários com o objeto de dependência, as expectativas investidas nessa relação e os seus efeitos.

Tratando-se de causas, somos hoje convencidos de que não exista uma causa únic­­a que determine um quadro estruturado de dependência química. Existe uma série de fatores que contribuem à estruturação de um mecanismo psicológico que busca uma compensação à dor, ao sofrimento, à frustração, à insatisfação e ao vazio existencial. Essa compensação nada mais é do que a relação, anteriormente citada, com um objeto, ou seja, uma droga de preferência que provoca gratificação e prazer compensando o vazio causado pelo sofrimento.

Há possibilidades de mudança dessa relação. Ela pode ser conhecida, aceita, transformada. A pessoa não precisa mais ser escrava da droga, ela pode procurar e encontrar meios para modificar essa relação e estruturar uma vida nova.

A droga vence por falta de adversários.

outros tratamentos

Tratamento Copiosa Redenção

O Programa Terapêutico realizado nas Comunidades Terapêuticas da Copiosa Redenção tem sua fundamentação metodológica na obra de George De Leon, A Comunidade Terapêutica, Teoria, Modelo e Método, estudioso americano considerado na atualidade a maior autoridade na pesquisa sobre CTs. A metodologia do programa prevê a atestação da evolução clínica do indivíduo através do progresso em um sistema de fases.

METODOLOGIA:

A metodologia que nos permite atingir os objetivos prefixados é a da Comunidade Terapêutica. Este método possui postulados próprios e metas específicas a serem buscadas. As metas são por meio da mudança de estilo de vida e a reestruturação da identidade. Para isso, o programa é dividido em fases, o que proporciona a avaliação do crescimento pessoal por parte da equipe e da própria acolhida neste processo.

SISTEMAS DE FASES:

1° Fase: A fase da adaptação propõe ao indivíduo que este se adapte ao seu problema de dependência e que, através do início do uso das ferramentas terapêuticas e das reuniões de grupo, possa perceber a necessidade de fazer o programa de recuperação, empenhe-se nele, compreenda os procedimentos desta metodologia de recuperação e busque confiar no grupo onde se encontra inserido.

2° Fase: A fase de interiorização, como o próprio nome diz, é uma fase onde o olhar retrospectivo, a revisitação da própria história e a busca de um encontro honesto consigo mesmo são as atitudes fundamentais. As relações intersubjetivas estabelecidas até esta fase provocam a pessoa a entrar em contato com suas feridas, suas defesas, suas projeções, seu estilo relacional, sua cultura, sua ética, seus valores, sua capacidade de adaptação, seu sistema familiar e sua história. Rever todos esses aspectos da existência é importante para a formulação de um novo projeto de vida.

3° Fase: A fase de Reinserção Social é dividida em duas etapas. Na primeira delas, o acolhido vive nas instalações da CT, porém possui a liberdade de sair para visitas periódicas. Possui responsabilidades e funções dentro da comunidade que constituem um papel de referência para toda a família da CT, promovendo assim a aprendizagem aos outros membros e transformando-se em estímulo e motivação para os demais acolhidos.

A etapa externa desta fase é realizada fora das instalações da CT. É a fase que prevê o confronto direto do indivíduo com a realidade externa, realidade formativa, de trabalho, familiar. É o momento de enfrentar mais diretamente o preconceito e as dificuldades de manter-se abstinente mesmo exposto a inúmeros estímulos. É parte integrante do tratamento e não pode ser subestimada. É uma etapa de fragilidades e vulnerabilidade que deve ser acompanhada pela equipe da CT com atenção. Neste período, os participantes do programa de recuperação retornam à CT mensalmente para o trabalho de Prevenção de Recaída, o qual permite à pessoa avaliar todo o mês e ter um quadro claro de seu comportamento, bem como dar respostas de enfrentamento em situações de risco.

Outros Tratamentos

O tratamento da Dependência Química é um processo que conta com várias ações: psicoterapia, medicamentos, internação, grupos de apoio, etc. Entretanto, não são todas as pessoas que necessitam de todas as ações. O tratamento deve ser individualizado, ou seja, ele deve ser projetado de acordo com as necessidades do paciente e da família. Não existe um tratamento único que atenda a todos os dependentes químicos. O terapeuta deve avaliar cuidadosamente cada caso.

MODALIDADE AMBULATORIAL: Na maioria das vezes deve-se começar um tratamento pelo ambulatório. Como quaisquer doenças, as internações devem ser reservadas para os casos mais graves. Pelo senso comum estabeleceu-se uma cultura de que tratamento de Dependência Química é sinônimo de internação. A internação involuntária só pode ser realizada se houver risco de vida para o paciente ou terceiros.

O tratamento ambulatorial é o tipo mais acessível de tratamento, não só pelo seu menor custo, como pelas “vantagens” que ele apresenta, pois procura tratar a pessoa sem tirá-la do ambiente no qual vive e nem afasta-la das tarefas do dia a dia, podendo também desenvolver com esse paciente um tipo de atendimento mais longo que inclua reinserção social, prevenção de recaída,  acompanhamento familiar, etc.

INTERNAÇÃO: A internação é realizada quando o profissional, que orienta o atendimento, percebe que a pessoa corre risco de vida, quando a própria pessoa prefere ser internada para se submeter ao tratamento, quando as tentativas ambulatórias falharam e sua rede de apoio familiar e social não ajudou o indivíduo a ficar sem drogas. A internação pode variar de alguns dias até 6 meses, dependendo da necessidade do paciente. Preferencialmente deve se restringir ao período de crise e ser o mais breve possível.  

INTERNAÇÃO DOMICILIAR: Este é o recurso utilizado pelos terapeutas para evitar a internação hospitalar. O jovem deve ter um bom suporte social e familiar e concordar com a internação. Neste período ele fica dentro de sua própria casa, sem sair. Não vai á escola ou ao trabalho e as tarefas fora do lar devem ser realizadas por outra pessoa. Não deve ter contato com usuários de drogas.

PSICOLÓGICO: O tratamento psicológico pode auxiliar e/ou complementar o tratamento psiquiátrico/medicamentoso e funciona como suporte motivacional e auxiliar na manutenção da abstinência.

O psicólogo pode seguir diferentes linhas, em grupo ou individual, que atendam às diferentes necessidades/características das pessoas. A linha mais utilizada hoje é a chamada terapia cognitivo-comportamental.

MEDICAMENTOSO: Existe muito preconceito em relação ao tratamento psiquiátrico que é, muitas vezes, associado ao tratamento de doentes mentais. O psiquiatra deve ser visto, portanto, como especialista na avaliação de um plano de atendimento no caso da dependência química. Existem poucos medicamentos que ajudam na dependência química dita, apenas para o Álcool e Tabaco. Geralmente o médico vai utilizar-se de medicamentos se houver alguma doença associada, por exemplo, Déficit de Atenção e Hiperatividade, Depressão, Ansiedade dentre outras.

GRUPO DE AUTOAJUDA: São grupos organizados normalmente por dependentes em recuperação e tem como base a troca de experiência, o aconselhamento e a religião. Não seguem nenhuma teoria especifica, mas são extremamente eficientes, pois lidam com relatos de experiências vividas por outros dependentes que, desta forma, percebem o seu problema de outra forma. Dentre eles se destacam: AA ( Alcoólicos Anônimos)  destinam-se para alcoólicos, NA (Narcóticos Anônimos) para dependentes químicos, AE (Amor Exigente) e ALANON para familiares de dependentes. A crença religiosa é de suma importância hoje dentro do tratamento da dependência. Ela deve ser respeitada e valorizada pelos familiares, pois funciona como base de orientação para a abstinência e para o tratamento.