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E quando bate a saudade de Deus?

E quando bate a saudade de Deus?

Em cada um de nós habita um anseio ou saudade que nada ou ninguém é capaz de preencher. Sobretudo, nada do que se refere ao que está nesse mundo, pois se trata de um íntimo desejo que carregamos de estar junto de Deus. Observando a vida dos santos, descobrimos que muito pode ser feito.

Santo Agostinho compôs uma das orações mais belas que retratam essa saudade de Deus: “Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração” (Confissões, 27). O santo teve a graça de compreender que o nosso coração nos direciona, nos move, para Deus, ainda que não sejamos capazes de reconhecer ou identificar essa movimentação interior.  

Infelizmente, há tantos que ainda não são capazes de reconhecer que esse vazio interior é saudade de Deus. Na ignorância, tentam preenchê-lo de outras maneiras. O próprio Santo Agostinho passou por isso antes de sua conversão. Ele narrou: “Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava” (Confissões, 27). 

Há muitos que não compreendem que a saudade de Deus jamais pode ser preenchida com festas, passeios, viagens ou por pessoas. “Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo” (Confissões, 29).

Mas, afinal, por que nós sentimos saudade de Deus?

A saudade é própria de quem ama. É um sentimento que pode ser traduzido como uma vontade de estar com aqueles a quem amamos. Ora, se eu tenho saudade de Deus é porque O amo.

Desta maneira, quanto mais eu estiver na presença de Deus, mais O amarei e mais saudade poderei sentir.

Santa Faustina Kowalska experimentou de maneira intensa esse ciclo de amor e de saudade. Ela registrou em seu Diário espiritual: “A saudade que a minha alma sente de Deus é tão intensa que a cada instante faz-me desfalecer. Sinto o amor eterno tocar o meu coração e a minha pequenez não o pode suportar, fazendo-me desfalecer. Porém, a minha força interior é grande e a minha alma quer corresponder ao amor com que é amada. A alma, nesses momentos, adquire um profundo conhecimento de Deus e, quanto mais O conhece, tanto mais ardente e tanto mais puro torna-se o seu amor para com Ele” (Diário de Santa Faustina, 946).

Como podemos perceber, essa saudade de Deus pode ser apaziguada, mas jamais eliminada.

Como amenizar a saudade que sentimos de Deus?

A saudade que sentimos de Deus é também reflexo da Sua presença em nossa alma. O que significa que podemos saciar essa saudade buscando Deus em nós mesmos, olhando para nosso interior, para nossa história e reconhecendo os Seus traços e os Seus desígnios em nossa vida. Santo Agostinho afirmou: “A ti, ó alma, nenhuma outra coisa satisfaz que não seja aquele que te criou”.

Sabemos que não podemos ver a Deus diretamente e muito menos tocá-Lo, mas podemos contemplá-Lo em toda Sua criação, o que pode ser reconfortante quando a saudade apertar. Santa Faustina dizia que não necessariamente precisava estar na capela para estar em oração e sentir Deus dentro de si. Ela costumava realizar todas as suas tarefas dentro do convento buscando falar em seu íntimo com Deus e contemplá-Lo nas pessoas e nos lugares. Assim também nós podemos conversar com Deus ao longo do dia, em meios aos nossos afazeres.

Para acalmar a saudade de Deus que carregamos em nosso íntimo podemos também nos colocarmos na Sua presença, adorando-O. Procure dispor de algumas horas, uma vez na semana ou todos os dias, conforme for possível, para adorar ao Senhor no Santíssimo Sacramento. Em silêncio, contemple-O, entregue a Ele o seu amor e sinta-se preenchido pela Sua misericórdia.

A saudade que sentimos de Deus é um indicativo de que nossos laços com Ele são estreitos. Quanto mais O amamos, mais queremos o Seu amor!  

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