+55 042 3226 1144
atendimento@copiosaredencao.org.br

Blog

Ainda há castidade para juventude?

Em uma sociedade marcada cada vez mais pela busca incessante do prazer e imediatismo, é raro o número de pessoas que têm ainda a castidade como um valor em seus relacionamentos. Entre os mais jovens, poucos são aqueles que conhecem realmente o significado dessa palavra.

As pessoas em geral, não apenas os jovens, vivem cada vez mais escravas dos próprios desejos e interesses. Sim, parece contraditório, considerando o fato de que nunca se pregou tanto sobre a liberdade. Mas a liberdade que o mundo tem oferecido está na realidade repleta de amarras.

Quando falamos em castidade a tendência natural das pessoas é associar a palavra a conceitos como proibição, fechamento, algo vivido apenas por alguns com vocações específicas para isso. Quando na verdade, a castidade é exatamente o contrário a tudo isso.

Mas antes de entendermos a definição do que é castidade, permita-me apresentar a história de uma jovem que entendeu este grande valor. Algumas pessoas se referem a ela como um anjo que viveu sobre esta terra

Quem foi Maria Resa Goretti?

O ano era 1890. Em uma cidade italiana, chamada Corinaldo, na Província de Ancona, havia uma família muito pobre, porém, muito temente a Deus. No dia 16 de Outubro daquele ano, o casal Luigi Goretti e Assunta Carlini, estavam em festa com a chegada daquela que seria a terceira de seus seis filhos, Maria Resa Goretti.  Um dia após seu nascimento, a menina foi apresentada ao Senhor, recebendo o Sacramento do Batismo.

Os tempos eram difíceis e de muita pobreza. Buscando por melhores condições, a família da menina precisou se mudar para uma casa compartilhada com outra família. Havia ali um pai viúvo e seus dois filhos, os Serenelli. 

Maria Goretti, desde muito cedo se destacou pela sua prontidão e disponibilidade em servir, cuidando da casa e de seus irmãos mais novos. Aos 9 anos, ela perdeu seu pai e sentiu a necessidade de apoiar a mãe que ficou sozinha cuidando da família.

Acontece que Maria Goretti era uma menina muito bela e logo atraiu os olhares do jovem Alessandro Serenelli, de 20 anos. Tomado pelos seus impulsos , o rapaz tentou por diversas vezes seduzi-la. Sem sucesso, a menina de 11 anos se recusava, e dizia que aquilo era pecado e não agradava a Deus.

Mas Alessandro não se importava com isso. Um dia, aproveitou uma oportunidade em que Maria estava sozinha cuidando de seus irmãos e foi ao seu encontro. Inconformado com as recusas da jovem, ele então a atacou e desferiu 14 facadas sobre ela, fugindo em seguida. 

Ouvindo os gritos que vinham da casa, o pai de Alessandro rapidamente encontrou a menina e a levou para o hospital. O estado de saúde dela era bastante grave. Tendo diversos órgãos comprometidos, foi operada às pressas, sem anestesia, e ofereceu todas as dores à Virgem Maria, Mãe de Deus. 

A menina recebeu a unção dos enfermos e a Eucaristia. Ao ser questionada pelo sacerdote se perdoava de coração o seu assassino, respondeu que: “Sim, eu o perdoo pelo amor de Jesus, e quero que ele também venha comigo ao Paraíso. Eu quero que ele esteja ao meu lado… Que Deus o perdoe, porque eu já o perdoei”

No dia seguinte, a jovem foi acolhida no céu. Partiu desta vida contemplando uma pintura da Virgem Maria. 

Seu assassino foi condenado a 30 anos de prisão e não demonstrava nenhum remorso. Até que certa vez, recebeu na prisão a visita do Bispo local,  Dom Giovanni Blandini. O encontro o marcou profundamente. Algum tempo depois, Alessandro escreveria ao bispo expressando um sincero arrependimento e relatando um sonho com a sua pequena Santa, como assim a chamava, e que intercedia por ele no céu. 

Ao deixar a prisão, arrependido, tocado por Deus e pelo perdão de Maria Goretti e dona Assunta, Alessandro entrou para o Mosteiro da ordem menor dos frades Capuchinhos, onde permaneceu até o fim de sua vida. 

Em 24 de junho de 1950 esteve presente com Dona Assunta, 4 de seus filhos e mais de 400 mil pessoas na praça São Pedro, para a cerimônia de Canonização de Santa Maria Goretti, a Santa da Castidade, da pureza de coração e do perdão que a Igreja recorda no dia de hoje. 

O que nos ensina a vida de Santa Maria Goretti?

A vida de Santa Maria Goretti ensina que a castidade é dizer SIM a Deus e a Sua Vontade, rejeitando o pecado que nos separa do verdadeiro Amor.

A castidade é uma fonte de energia e vitalidade, que põe em ordem os afetos e nos capacita para amar o que deve ser amado, como deve ser amado e na medida em que deve ser amado.

São João Paulo II, autor da Teologia do Corpo, ensina que  “a castidade só pode ser pensada em associação com a virtude do amor. Sua função é libertar o amor da atitude utilitarista”.

Ser casto é respeitar a si mesmo e ao outro, compreendendo que o prazer efêmero e utilitarista é vazio e não traz fruto algum. 

E este é um grande desafio sobretudo para jovens, da “cultura do descartável”. Em que utilizo tudo e a todos conforme a minha vontade e descarto o que não me agrada. Ignorando as consequências que estes atos provocam. Tudo torna-se provisório. 

A sede no coração do homem

A busca incessante pelo prazer e a realização da própria vontade, revela na verdade corações sedentos. Existe dentro de cada pessoa uma sede de infinito e esta só pode ser saciada por Deus. Quanto mais tenta-se preencher este espaço com outras coisas, mais o indivíduo se fere. Machuca a si mesmo e fere aqueles com quem se relaciona. 

Muitos jovens possuem uma visão equivocada do amor. Pensam que dar-se ao outro em uma relação sexual é prova de amor e entrega. Quando na verdade, ninguém pode dar aquilo que não tem.

Amar é dar a si mesmo. E você não pode se dar ao outro se não é dono de si. É preciso recuperar nos corações dos jovens a beleza do amor humano.

Como motivar os jovens a viver a castidade?

Sabemos que viver a castidade não é nada fácil.Ainda que o mundo insista em dizer o contrário, é sim possível de ser vivida e nos torna mais livres e felizes pois purifica as intenções do coração. Libertando do egoísmo e elevando o amor à plena maturidade.

Talvez muitos jovens não vivam a castidade pois não a compreenderam como um dom, uma virtude que exige disciplina, mas que é principalmente uma graça concedida por Deus para aqueles que O buscam de coração sincero. Não há porque temer viver este belo desafio.

Por isso, antes de querer ser casto com as próprias forças, é preciso pedir a Deus a graça de viver a castidade. No início não será fácil, mas não desista. Haverá muitas quedas pelo caminho e isso é natural. Em cada queda, recorra aos Sacramentos e recomece.

Este conteúdo foi útil para você? Não deixe de compartilhar com os seus amigos e principalmente com os jovens. Que outros possam descobrir a verdadeira beleza que há em um coração casto. 

Post a comment